quarta-feira, 7 de maio de 2008

F. ALOLA: Mulher Forte, Nação Forte

Díli - «Feto Forte, Nasaun Forte», em português «mulher forte, Nação forte», é o lema da Fundação Alola, criada por Kirsty Gusmão, que se dedica à defesa e apoio das mulheres e crianças de Timor-Leste.
Em 1999, logo após o referendo pela independência, milícias indonésias mergulharam Timor-Leste numa onda de terror e violência, durante esta vaga sanguinária uma jovem timorense do Suai foi brutalmente violada, chamava-se Júlia dos Santos, alias Alola. Sensibilizada por este trágico episodio, Kirsty Gusmão, mulher de Xanana Gusmão, decide em Março de 2001 criar uma fundação para a protecção da mulher e solidariedade com o destino de muitas timorenses, que foram forçadas a passar a fronteira com milícias indonésias.
Hoje a Fundação Alola dedica-se a um largo leque de programas que se focalizam no apoio e defesa das mulheres e crianças timorenses, na educação e saúde infantil, confirmou em entrevista à PNN Meredith Buldge (Directora da área de Maternal Child Health Care) e Anne Finch (Chief Executive Officer), programas que exigem a aplicação de muitos meios financeiros e humanos.
Segundo as duas responsáveis Portugal e particularmente a Austrália têm demonstrado muito interesse pelas actividades da Fundação. No entanto a maior parte das doações vêm da Austrália, de instituições e iniciativas pessoais: «os australianos são muito sensíveis ao nosso programa de combate à mortalidade infantil». A fundação Gulbenkian é considerada também como um dos mais importantes doadores da Alola, a qual financia «dois dos nossos programas saúde infantil e desenvolvimento económico», um dos quais iniciou este em ano em Oecussi com formações sobre nutrição infantil. Outras áreas de intervenção, como relativas a advocacia e saúde infantil, são apoiadas também pela Gulbenkian além da Oxfam e UNICEF.
O único apoio português à Alola é da Gulbenkian, apesar da Embaixada de Portugal já demonstrado interesse em apoiar algumas iniciativas, confirmaram as responsáveis da Alola que consideram importante a necessidade de um incremento da contribuição portuguesa e sublinham que em vários distritos muitas tradições portuguesas continuam presentes, especialmente nos têxteis onde as timorenses continuam a aplicar cores e símbolos de inspiração lusa.
No entanto o objectivo principal da Alola permanece o apoio à mulher timorense, seja no campo da saúde e formação, mas também na protecção contra todo o tipo de violências e especialmente domésticas. «O problema de muitas mulheres timorenses é de não compreenderem o que são violências domésticas» explicam as mesmas responsáveis, «muitas mulheres pensam que é normal» o programa da Alola pretende ajudar as timorenses a identificar este tipo de problemas e apoiá-las a falar no assunto, «neste momento a polícia já está a seguir muitos casos, e apoia as vítimas de violência doméstica».
Também a educação é uma das prioridades da fundação criada por Kirsty Gusmão a qual já trabalha com cerca de 80 escolas no país, apoiando alunos e professores, que coordena as suas actividades com a comissão da educação nacional. Segundo as responsáveis da Fundação Alola a colaboração com as instituições nacionais foi incrementado e sublinham que o «Ministério da Educação tem novos desafios, novo sangue, e é provavelmente o mais eficiente dos ministérios timorenses», tornando agora mais fácil à Fundação Alola a relação e trabalho com os políticos locais.
Tiago Farinha (Jornal digital, edição 18.04.2008)

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